Slow fashion virou etiqueta de marketing
Ando percebendo uma nova narrativa nas marcas digitais (e algumas lojas físicas) que é a adoção do discurso de "somos uma marca slow fashion". E fazendo uma análise de 5 minutos, percebo que o modus operandi dessas empresas é o mesmo do fast fashion: produção acelerada, grande escala, queima de estoque, estímulo constante ao consumo, dezenas de coleções, escassez artificial.
Mas o slow fashion genuíno está uma milha de distância dessa lógica. Uma marca coerente com o slow fashion sabe que não precisa lançar novidades toda semana para ser relevante, ela entende que uma peça pode permanecer desejável por muito mais tempo do que um algorítmo, e apenas os seus processos já revelam isso. Ela não tem interesse no consumidor que quer comprar roupa para uma única ocasião e esquece-la no armário na semana seguinte. E o mais importante: uma marca slow fashion não tem medo de dizer NÃO.
Produzir menos, escolher menos, e criar algo que continue desejável quando a tendência já passou talvez seja uma das formas mais honestas de fazer moda hoje.
Slow fashion não é marketing, não é etiqueta. É postura, e como toda postura verdadeira, aparece mais nas escolhas do que nas palavras.
Por Juscimara Truglia



